Hamlet Zero não é Hamlet. É uma questão pessoal, entre Shakespeare e nós.
É antes uma conversa entre o grupo e Hamlet, da qual o resultado são impressões, estímulos e imagens criadas a partir dos estímulos que o texto nos trouxe – e que nos fez pensar sobre o quê, exatamente, nos interessa em meio à imensidão de temas que a peça suscita. Não é a verdade de Shakespeare, mas o que nele faz despertar a nossa verdade. Hamlet Zero não é Hamlet.Aqui, Hamlet não é um herói. É antes um menino, que precisa ser tirado do pedestal das grandes figuras shakespeareanas e para chorar as frustrações que ficaram para trás. “Desrespeitar” Hamlet para redescobrir nele o que existe de mais simples e humano: a batalha contra os fantasmas que emergem do nosso inconsciente, do nosso passado, das pressões externas que nos afastam da vida simples e verdadeira.
Hamlet Zero não é Hamlet. É uma viagem ao encontro desses fantasmas. A nostalgia de uma infância primeira, de um Éden do inconsciente que foi maculado por tudo o que há de perturbador no mundo que nos cerca. Mas não é apenas um exercício de auto-comiseração. É preciso matar os próprios fantasmas. Para seguir em frente.
Hamlet Zero é Hamlet.
René Piazentin