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QUIXOTE, livre adaptação sem texto da obra de Miguel de Cervantes volta aos palcos no Teatro Paulo Eiró. SP, 2009.

O espetáculo Quixote, da Cia dos Imaginários, direção de René Piazentin, volta aos palcos em curta temporada no teatro Paulo Eiró, entre os dias 15 e 31 de maio. A jovem companhia mostra sua releitura da obra sem utilizar texto. Com o foco na questão imagética, utiliza ações físicas, trilha sonora pop e um desenho de luz diferenciado para criar a atmosfera lúdica da montagem.

Ao construir o espetáculo o grupo não se preocupou em adaptar a obra de Cervantes, mas sim criar livremente a partir da figura central do cavaleiro andante, imagens que para eles traduziam o espírito quixotesco de sonho, utopia e crença em um mundo diferente.

Assim, a peça refaz a trajetória do Cavaleiro da Triste Figura através do processo colaborativo, mostrando uma série de situações que traçam paralelos com momentos importantes do romance que povoam o imaginário coletivo, como o enlouquecimento de Quixote após a excessiva leitura de novelas de cavalaria, seu rompimento com a realidade, a partida para a aventura, a idealização de sua musa Dulcinéia Del Toboso, o encontro com o fiel escudeiro Sancho Pança, o duelo com gigantes e a célebre cena dos moinhos de vento. A montagem moderniza a obra de Cervantes a partir de referências de ídolos da contemporaneidade como Gandhi, Martin Luther King e Charles Chaplin, e trilha sonora pop composta por Beatles, Moby, Fred Zero Quatro, Prodigy.

Durante a encenação, um coro de leitores assume personagens variados e incorpora dragões e gigantes. O cenário se assemelha a um grande porão de lembranças, repleto de rodas de bicicletas e livros antigos. A escolha de pijamas como figurinos, o desenho de luz e o uso de lençóis brancos ajudam a compor a ambientação onírica. Os objetos desse porão são transformados e adaptados para se assemelharem às imagens, personagens e locações da obra original. Assim, com bicicletas no lugar do cavalo Rocinante e do burro Ruço, coletes salva-vidas no lugar de armaduras e guarda-chuvas no lugar de lanças, a peça ganha também um tom lúdico. Tão lúdico e onírico quanto um aviãozinho de papel preso em uma gaiola, como se vê em uma das cenas.

“Quixote é uma metáfora e uma fábula. Ou a metáfora de uma fábula”, diz René Piazentin. “Quixote se dá a liberdade de olhar o mundo com outros olhos, de enxergar aquilo que nos é posto como definitivo de uma maneira transgressora. Ele nos redime da obrigação de sermos heróis e nos inscreve na categoria dos ‘anti-heróis’ imperfeitos, patéticos, cheios de falhas e desejos impossíveis. É o herói que se trai, que revela seu lado fraco, que é humilhado, massacrado, mas defende seu direito sagrado de crer que o mundo pode – ou ao menos deveria – ser diferente. E é bonito ver o herói se traindo. Porque é humano”.

Dom Quixote de La Mancha

Considerado como o primeiro romance moderno, El Ingenioso Hidalgo Don Quixote de La Mancha é, sem dúvida, uma das obras máximas da literatura universal. Ele teve sua primeira parte publicada em 1605, em Madri, por Miguel de Cervantes Saavedra e tornou-se célebre já em sua época, ganhando uma segunda parte em 1615, publicada em 10 edições de 1500 exemplares cada. Segunda obra mais lida e traduzida depois da Bíblia, foi eleita em 2002 como o melhor livro de todos os tempos pelo Instituto Nobel da Noruega.

Cia dos Imaginários

A Cia dos Imaginários formou-se pelo interesse em pesquisar uma linguagem cênica que valorizasse mais a construção de imagens e símbolos que o aspecto verbal. Ela iniciou sua pesquisa com a montagem de “As Troianas”, de Jean-Paul Sartre, em 2005, seguido dos processos com “Quixote” e “Hamlet-Zero”. Nos três trabalhos, há em comum a busca de uma linguagem que valoriza o aspecto físico na interpretação e o imagético na encenação.

Ficha técnica:

QUIXOTE, adaptação livre do texto de Miguel de Cervantes

Direção - René Piazentin

Assistente de Direção – Nathalia Dezoti

Iluminação, cenário e figurino - René Piazentin

Op. de Luz - Nathalia Dezoti

Op. de Som - Keity Régis

Maquiagem - Carolina Costa

Apoio Teórico - Leila M. Ruiz Babadópulos

Programação Visual - Aline Baba e Caio Franzolin

Divulgação – Caio Franzolin, Caio Marinho e Mariana Viana

Produção - Núcleo Imaginário de Produção

Fotografia - Mariana Noguera e Ana Ono

Coordenação do Projeto - Aline Baba

Elenco - Aline Baba, Caio Franzolin, Caio Marinho, Camila Nardoni, Carolina Costa, Felipe Ormeni, Kedma Franza, Luana Frez, Mariana Viana, Thaíssa Landucci e Vinicius Roszczewski.

Serviço

Quixote

Duração: 60 minutos

Recomendação – livre

Gênero: Fábula dramática

Temporada de 15 a 31 de maio

Sextas e sábados às 21h

Domingos às 20h

Dias 15, 16 e 17 - grátis

Ingressos: R$ 10

Meia entrada para idosos, estudantes e classe teatral

Capacidade: 600 lugares

Teatro Paulo Eiró

Av. Adolfo Pinheiro, 765 - Santo Amaro

Tel: 5546-0449

 



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